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Alta dos insumos da construção civil: onde vai parar?

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Alta dos insumos da construção civil: onde vai parar?

Depois de um 2020 com muita inflação nos insumos da construção civil, a expectativa de muita gente era que em 2021 os preços recuariam, pelo menos um pouco. Infelizmente, não é o que estamos sentindo na hora de ir às compras.

O INCC acaba de ser divulgado, apresentando alta acumulada em janeiro e fevereiro em “Materiais, Equipamentos e Serviços” de 3,43%, mostrando que o ano novamente será de grandes altas.

 

Aumento do Minério de Ferro

 

Fonte: Investing.com – 03/03/2021 – 12hs

 

O Minério de ferro praticamente dobrou em dólar, subindo 91,55% nos últimos 12 meses. Em real, uma incrível subida de 141,58%. Por isso, estamos enfrentando tanta inflação no preço do aço.

 

Aumento da demanda 

 

A China é a maior compradora mundial de minério de Ferro, e os maiores vendedores, são Brasil e Austrália. A China vem travando uma batalha comercial com a Austrália, sobretaxando o minério de Ferro.  Isso faz com que a demanda por minério de ferro brasileiro e de outros países aumente, pressionando muito os preços para cima. Essa briga não deve terminar tão cedo, mantendo a pressão.

 

Projeto de Xiong´an. Fonte: som.com

 

Além disso, a China continua investindo em grandes obras, como a nova cidade de Xiong`an, mantendo a forte demanda por todos os tipos de insumos da construção civil.

No Brasil a taxa de juros nos menores patamares históricos, vão manter o setor da construção civil muito aquecido, ampliando a demanda por aço.

 

Impressão de dólares e aumento das commodities

 

Com o grande aumento da base monetária pelo FED, naturalmente o dinheiro vai para os ativos financeiros, por isso vemos recordes sendo quebrados das bolsas pelo mundo, mesmo em meio a uma pandemia e uma menor atividade econômica.

O próximo efeito natural é o aumento dos insumos da construção civil. Se temos o dobro de dinheiro disponível e a mesma quantidade de materiais, naturalmente o preço vai subir.

Esse cenário, conforme anunciado desde a campanha presidencial pelo Biden, vai continuar piorando, com mais impressão de dinheiro.

 

Depreciação do real

 

Normalmente, em anos sem eleições como 2021, temos uma maior estabilidade política no Brasil, gerando uma estabilidade maior do real, sem grandes depreciações. Porém, o Presidente Bolsonaro já começou o ano gerando grande insegurança para investidores internacionais, trocando o Presidente da Petrobras de uma hora para outra, gerando desconfiança dos investidores internacionais e depreciando o real.

 

 Fonte: Investing.com – 03/03/2021 – 12hs

 

Porém, o cenário ainda é positivo! Graças a grande impressão de dólares pelos governos americanos e europeus, a abundância de dinheiro pelo mundo deve trazer bastante dinheiro para países emergentes como o Brasil, como pode ser visto na moeda mexicana. Isso trará uma valorização do real frente ao dólar até o final do ano.

 

 Fonte: Investing.com – 03/03/2021 – 12hs

 

Resumo

 

O aumento dos preços em curto prazo deve continuar. Porém, o cenário é positivo para os próximos meses. Basta o Bolsonaro, STF e Congresso não gerarem novas tensões, que tudo indica uma valorização do real, trazendo um alívio cambial.

O principal fator de aumento da demanda global, a guerra comercial entre Austrália e China, já está precificado, e não deve pressionar tanto os preços, apesar de não ter sinal de recuo nos próximos meses.

O aumento da impressão de dinheiro pelo mundo deve manter a subida do preço internacional das insumos da construção civil, porém também trará a valorização do real, balanceando as coisas.

 

Obrigado, e até a próxima.

 

Cristiano Schneider 

Engenheiro Civil e CEO da Thórus Engenharia

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